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Ainda (in)desistênciasSou um mar de dúvidas pescado pela tua rede aberta de não saber, do não viver as as coisas que me vão na alma; (…)
Tu sabes, Tu tens a certeza que nada é o que é e, ainda assim, confio porque me foi ensinado; porque a alternativa é demasiado dolorosa.
(...) e eu a acreditar , segurando as entranhas com a mão direita, enquanto a esquerda segura o copo e o cigarro. (...)
Devoro o meu pulso esquerdo para matar a fome e para que pare de escrever, mas esqueci-me que sou destro. Talvez não quisesse mesmo parar de escrever. Não me posso assim iludir à primeira quanto aos meus intentos.(…) A memória inexistente de um futuro próximo oferece-me um cansaço antigo e olhas pela primeira vez o tecto a reflectir a luz artificial no baço dos teus olhos. Aí não há cor. O que fazes tu a escrever sem cor o que te rodeie? (…) Mas não é isso que quero. Quero que te vires para aqui, enquanto olhas para acolá. Depois tens ainda isto e aquilo e eu sou só uma praia de areia fina, branca como a neve com que tanto sonhas. Eu sou o sonho ao dobrar da esquina do desejo e tu, meu brinquedo predilecto de um sonho que vou inventando ao correr do tempo. A certeza que a doce sensação que o abismo oferece à existência só existirá enquanto o percorrer pelo rebordo. (…) Alexandre Valinho - Adaptado de As bruxas - Baladas da varanda fria TrackbacksThe trackback URL for this entry is: http://soaresnatasha.spaces.live.com/blog/cns!56A1ED7051F583E0!608.trak Weblogs that reference this entry
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