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Inconsequentes marujos(...)
Canções de embalar em noites semi-frias, longas porque se iniciam. Promessas vãs, firmadas com o intuito de chegar às mais frágeis formas de sentir. (...)
O afago solitário da mão que vai percorrendo o meu corpo.
O brilhar de olhos porque sim.
A calçada branca que me conduziu de novo, rumo à esperança de existir, de ser mais um pouco para além de mim.
(...)
Os dedos que cruzaremos um dia terão essa força inútil contra as marés já definidas.
Teremos de reinventar um outro território paralelo a este para que a gravidade não se manifeste.
(...)
Seja como for, estamos virados para o infinito, amparados pelos amigos, em breves abraços de distracção.
(...)
As bruxas reúnem-se em roda aberta ao infinito e o Universo em implosão és tu.
(...)
Já não falas
não sussuras os medos que te cobrem o corpo triste e os gritos estão do lado de fora do edificio onde não chovem punhais. Rodopias na vertigem de ser mais um pouco e a esperança é bebida de chofre, num travo amargo de existência dogmática.
A calçada branca pontuada de negro sobre os pés e
não és crente,
não és nada para além dos passos que te arrastam para o veículo de fuga.
(...)
Enfim repouso na certeza que não sou, dormindo no corpo que não é meu.
Acredita em ti e verás que a verdade é a realidade que tu constróis. Mas tu sabes tudo desde o inicio da noite. Só não queres crer na Verdade, aquela que te penetra a carne sangrenta uma vez mais.
Alexandre Valinho - As bruxas - Baladas da varanda fria
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